A chuva caía pesada, anunciando que o Outono já avançava. O céu escuro da noite, em virtude da hora já avançada, fazia a paisagem da janela parecer um quadro cuja tela era preenchida por nada além do mais puro negrume. O som das pesadas gotas de chuva gelada atingindo o telhado de madeira da hospedaria era alto, e ocultava o som do metal sendo afiado na pedra.
Toshiro sentava-se em seiza¹, e olhava fixamente para a lâmina a sua frente, a qual ele deslizava contra a pedra de amolar umedecida. A luz tênue da vela usada para iluminar parciamente o quarto simples refletia no metal da lâmina. Sentia os dedos sensíveis pelo esfregar continuo da pele na navalha e na aspereza da pedra, mas não se importava. A pele secaria, e então viria a bolha. A bolha estouraria, e a pele antes fina se tornaria couro. E seria apenas mais um calo na mão endurecida pela prática constante da espada.
Ergueu a lâmina, e a observou à luz da vela por um instante. A beleza da espada japonesa fascinou o homem por um tempo. A lâmina, mesmo no ambiente de penumbra do quarto, emanava um brilho azulado de metal polido que contrastava com o amarelo cálido da vela que já esmorecia e em breve se apagaria.
Um relâmpago cruzou o negrume da janela, iluminando o quarto e atraindo os olhos vazios de Toshiro por um milissegundo, antes que ele repetisse a brincadeira por instinto.
”Ichi... Ni... San...”²
Murmurou, sem tirar os olhos da espada, até que o som do trovão preencheu a noite escura. E foi precedido pelo som da espada deslizando vagarosamente para dentro da bainha.
Toshiro olhou a escrivaninha do seu pequeno quarto, e viu a mensagem em cima dela. Seus superiores entendiam a solenidade de seu trabalho, e o seu respeito pela vida que acabaria ali era traduzido na caligrafia elaborada que trazia o nome de seu alvo: Shigekure Kouji.
De acordo com a informação, Shigekure era um mercador. Possuía contato com os ocidentais da ilha Dejima. Estava em vias de fechar um contrato de intermédio da venda de armas de fogo para tropas xogunais. Paranóico e meticuloso, tinha medo que outro mercador atravessasse a sua venda, e então mantinha o nome de seus contatos em segredo. Se fosse removido, a negociação das armas se tornaria inviável.
Toshiro passou duas semanas peregrinando pelas ruas de Kyoto e observando o dia a dia de Shigekure. Hoje, ele combinou com amigos de ir à zona de baixo meretrício. Provavelmente, voltaria bêbado e sozinho para casa.
Toshiro sentava-se em seiza¹, e olhava fixamente para a lâmina a sua frente, a qual ele deslizava contra a pedra de amolar umedecida. A luz tênue da vela usada para iluminar parciamente o quarto simples refletia no metal da lâmina. Sentia os dedos sensíveis pelo esfregar continuo da pele na navalha e na aspereza da pedra, mas não se importava. A pele secaria, e então viria a bolha. A bolha estouraria, e a pele antes fina se tornaria couro. E seria apenas mais um calo na mão endurecida pela prática constante da espada.
Ergueu a lâmina, e a observou à luz da vela por um instante. A beleza da espada japonesa fascinou o homem por um tempo. A lâmina, mesmo no ambiente de penumbra do quarto, emanava um brilho azulado de metal polido que contrastava com o amarelo cálido da vela que já esmorecia e em breve se apagaria.
Um relâmpago cruzou o negrume da janela, iluminando o quarto e atraindo os olhos vazios de Toshiro por um milissegundo, antes que ele repetisse a brincadeira por instinto.
”Ichi... Ni... San...”²
Murmurou, sem tirar os olhos da espada, até que o som do trovão preencheu a noite escura. E foi precedido pelo som da espada deslizando vagarosamente para dentro da bainha.
Toshiro olhou a escrivaninha do seu pequeno quarto, e viu a mensagem em cima dela. Seus superiores entendiam a solenidade de seu trabalho, e o seu respeito pela vida que acabaria ali era traduzido na caligrafia elaborada que trazia o nome de seu alvo: Shigekure Kouji.
De acordo com a informação, Shigekure era um mercador. Possuía contato com os ocidentais da ilha Dejima. Estava em vias de fechar um contrato de intermédio da venda de armas de fogo para tropas xogunais. Paranóico e meticuloso, tinha medo que outro mercador atravessasse a sua venda, e então mantinha o nome de seus contatos em segredo. Se fosse removido, a negociação das armas se tornaria inviável.
Toshiro passou duas semanas peregrinando pelas ruas de Kyoto e observando o dia a dia de Shigekure. Hoje, ele combinou com amigos de ir à zona de baixo meretrício. Provavelmente, voltaria bêbado e sozinho para casa.
¹- De joelhos. Posição tradicional japonesa pra ocasiões formais.
²- "um... dois... três....". Takeda está fazendo uma brincadeira onde, após um relâmpago, inicia-se uma contagem pra ver quanto tempo depois do clarão que o trovão chega.
(Post original: Tellurian , Novaerarpg)
(Post original: Tellurian , Novaerarpg)

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