quinta-feira, 12 de março de 2020

Noite Carmin - 02

 Era hora de fazer o que o Daimyo solicitou. Shikegure deveria ser removido de sua função como negociador de armas para facilitar um futuro em que o Imperador reinaria. Um futuro melhor que funcionaria em prol dos interesses da maioria do povo japonês e não às necessidades de apenas um homem. Isso não era uma tarefa fácil, tirar uma vida era como remover uma parte da harmonia de uma música, no entanto se há um instrumento tocando uma melodia diferente sua remoção apenas reforçará a melodia correta trazendo harmonia para o som, para a música esperada.

       A chuva ocultaria a maior parte do barulho e dificultaria seguir as pegadas tanto de Shikegure como as minhas. Porém havia a possibilidade de que ele esperasse a chuva passar para sair pelas ruas da cidade. Precisava ir até a zona de baixo meretrício, não que a região não fosse conhecida, mas procurar alguém era diferente de ir se divertir, havia uma obrigação com a justiça e

 Me preparo para sair com um pouco de dinheiro, usando roupas que poderiam ser descartadas se houvesse sujeira de sangue, um chapéu de bambu para combater o frio e as espadas simbolo de um samurai.

      A caminhada a noite com chuva era tranquila, poucas pessoas estavam nas ruas e quem saiu tinha um objetivo em mente. Era possível sentir o cheiro de lenha queimando para aquecer e secar as casas. Não haviam muitas árvores no Japão e a madeira era muito bem aproveitada. Por que Shikegure não importou madeira? Talvez pudesse importar ferramentas? Se não outra coisa para o bem-estar do nosso povo? Por que tinha que ser armas e ainda mais para os inimigos do povo? O pensamento nas ações do alvo era importante para compreender se apenas a sua remoção realmente resolveria o problema. Não era uma forma de trabalhar a culpa, mas sim de trabalhar a justiça, para que fosse feita da forma adequada, sem pontas soltas. Eventualmente poderia direcionar meus inimigos para que perseguissem outros inimigos do império eliminando 2 problemas com 1 só golpe, sempre melhorando, sempre fazendo as coisas de uma maneira mais eficiente.

       Ainda chove na zona e algumas pessoas que estaria nas ruas estão escondidas em seus respectivos estabelecimentos. Shikegure estava em algum deles e precisava descobrir qual. A ideia era perguntar por meu amigo que havia se separado de "nós", estava meio bêbado e então descreveria Shikegure. Sempre podemos confiar na bondade das pessoas, ninguém quer ter que recolher um bêbado e estariam dispostos a passar a tarefa a qualquer um que procurasse por ela. Certamente alguns dos presentes precisariam de uma recompensa, como uma moeda ou duas. Ainda de forma a aproveitar o momento e como parte do disfarce poderia conversar com as moças para trocar alguma caricia sem perder o olho do prêmio, a cabeça de Shikeure. Depois bastava seguir o alvo e no momento adequado, acabar com ele pela frente com honra.

       O plano estava formado, agora a execução precisava acontecer. Essa era a parte mais difícil pois haviam vários fatores fora do controle, devia confiar na intuição.

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