Suzu era uma Maiko muito admirada e requisitada na casa de chá na qual trabalhava, ela era perfeita, seus movimentos leves e suave como asas dos beija-flores, sua maquiagem impecável, seu perfume amadeirado e viciante, e seu coque sempre perfeito finalizado com flores de cerejeira, seu olhar carinhoso e brilhante, e o seu sorriso doce que acalmava os corações dos mais aflitos. Mas para ser perfeita o expediente dela não terminava quando as casas eram fechadas, continuava ... a treinar, treinar e seus pés sempre enfaixados pela marcas do seu sofrimento da perfeição.
Aquela noite, fresca e suave, Suzu estava a caminho de mais um dia de trabalho, havia ensaiado severamente para aquela noite especifica, queria ser perfeita no shibu e encantar dessa forma a todos, e quem sabe finalmente conseguir se tornar uma Gueisha, além do mais conseguiria mais Mon e dessa forma ajudaria mais a sua família. Suzu adorava seu trabalho, adora aquela cidade, principalmente na primavera, onde as cerejeiras floresciam e enchiam as margens do rio co tons de rosa e vermelho, suas cores preferidas, e a cidade ficava com o doce aroma das cerejas. E a noite ah! A noite com toda sua misticidade, aquelas lampadas de lanternas, aquelas pessoas algumas fugindo de suas vidas, outras tentando encontrar-se, outras apenas tirando o estresse do dia, todas ficavam lindas e misteriosas diante daquela meia luz. Era totalmente diferente da paisagem da sua pequena vila, mas aquele lugar trazia um pouco de felicidade para o seu coração ferido.
Distraída com seus pensamentos sobre as possibilidades daquela noite e os passos que deveria fazer e ao mesmo tempo tentado se equilibrar naqueles getas, Suzu olhou para o céu e pela posição da lua e estrelas percebeu que estava um passo para ficar atrasada, resolveu apressar-se, ao virar a rua para entrar na casa de chá pisou em algo pegasoso, e já ia começa a esbravezar pensando na possibilidade de ter sujado sua roupa, ao aproximar para verificar, percebeu que era sague. SANGUE! E logo percebeu a presença de um homem ferido, e levou as mãos para conter o grito de desespero e aflição.
Ao aproximar do pobre homem ferido,apenas ouviu " chame ajuda ... shiori-sama ... salve-o" e o mesmo morreu ali, no inicio da noite, nos braços de uma desconhecida, nos braços de Suzu . A mayko ficou sem entender o que havia acontecido, e mal ela sabia que sua vida estava mudando naquela noite ... com aquela morte ... Então Suzu entrou aflita na casa de chá e chamou Jôshi e contou o que havia presenciado, lágrimas borravam sua maquiagem, sua roupa cheirava sangue, e seu corpo todo tremia....
Sua vida mudou como uma brisa avisando o fim do verão ....
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