sexta-feira, 27 de março de 2020

Vento Divino - 05

Quando chegaram na hospedaria, Jhun permanecia ainda em silêncio. A viagem de volta pelo lago fora cansativa, mas não tanto quanto escalar e descer a parede... e manter o arco retesado? Atirar com arco e flecha exigia uma força homérica e toda a tensão que os dedos e o ombro seguraram até ele analisar toda a cena e averiguar qual o Daimyô verdadeiro...
Ele passou pelo estalajadeiro e apenas disse.

Jhun: Boa noite. Pode pedir à moça da cozinha que me prepare um pouco de chá e uma tigela de Sunomono?

O chá serviria para acalmar e o Sunomono era um relaxante muscular bem nutritivo até, apesar do gosto forte. Ele agradece curvando a cabeça...

Jhun: Arigatô.
Então, subiu para o quarto, onde seus irmãos trocavam de roupa. Ele também trocou.... tirando a camisa, o corpo magro, porém definido do Shinobi mostrava cicatrizes por todas as costas e costelas. Cicatrizes eram as memórias que o corpo levava de uma vida de perigos, dores e treinamento pesado. Eles as tinha com orgulho, apesar da não necessidade de exibí-las.

Quando Nanami entrou e começou a se trocar, muitos olhos se viraram para ela. Juhn tentou não virar o rosto, mas seus olhos foram ao canto como se a tentação fosse muito grande para não ser possível combatê-la. Quando ela foi se aproximando, Jhun falou com ela sem se virar, como se estivesse ocupado em trocar as vestes.


Jhun: O Daimyô costuma usar sósias, Nanami... e foi isso que ele usou nesta noite. Eu pude ver na platéia um homem igual a ele, ao lado da esposa dele...

Então virou-se e encarou Nanami nos olhos.

Jhun: Porém, quando ele a tocou.... quando ela sorriu para ele, sem fingimentos, sem falsidade... um sorriso sincero e feliz... eu pude ver que o homem na platéia era o nosso alvo. O Daimyô jamais permitiria que outro homem olhasse e tocasse em sua esposa daquela maneira...

Ele então pegou a roupa que seria dela e entregou nas mãos da moça.

Jhun: Vista-se... você está comprometendo o juízo dos homens, Nanami.

Se ela questionasse, ele apenas diria.

Jhun: Cães continuam sendo cães mesmo que você os treine desde filhotes.... homens sempre serão homens. Sua beleza tira o foco deles...

Terminou de amarrar a sua Sash (uma faixa que servia de cinto), ele diz.

Jhun: Sim, eu voltarei a aldeia... tenho de informar nosso senhor de que a missão foi concluída. Ah não ser que você saiba de algo que necessite da minha atenção em outro lugar.

Dito isso, terminou de se vestir e passou por ela, saindo e indo buscar sua refeição.

Nanami era uma beldade, sem dúvida. Mestiça, tinha a pele mais escura que as moças japonesas comuns, em um tom acobreado que lembrava mel. Mas, o que mais chamava a atenção nela eram seus olhos, verdes como jade no escuro, e bem mais claros, quase azulados, na luz. Tinha um temperamento intenso, e era gentil grande parte do tempo, mas era terrível quando se enfurecia. E, muitas vezes, se enfurecia e ninguém conseguia dizer porque.

Como toda moça que é linda desde sempre, Nanami é acostumada à malícia dos homens. Ela é plenamente consciente do desejo e na inveja que sua beleza desperta nas pessoas, e faz uso disso frequentemente em missões Shinobi. Ela lida magistralmente com a turba de homens ao seu redor fazendo de tudo para chamar a sua atenção e marcar território. As más línguas diriam que ela gosta dessa atenção e que a cultiva, mas Jun sabe que dizer isso a ela a deixaria entristecida e com raiva. Ela é mais do que a camada de beleza intensa que a reveste, e tentar resumi-la aquilo é o suficiente pra despertar a raiva de Nanami.


Estrategista brilhante, Nanami frequentemente é encarregada da liderança dos grupos. O grupo de Jun, hoje, estava sob coordenação da jovem Shinobi. Quando Jun contou-lhe sobre as razões pelas quais atirou na platéia, ela sorriu, colocando uma das mãos no ombro do rapaz.

-"Eu sabia que seria uma boa idéia te deixar com a responsabilidade de dar o tiro, Jun. Parabéns."- disse, com um sorriso radiante no rosto.

Mas quando Jun disse-lhe para se cobrir, porque ela estaria comprometendo o juízo dos homens, Nanami corou, ficando até com as orelhas vermelhas. E então Jun viu o ódio faiscar nos olhos verdes da morena. Tentou justificar-lhe dizendo que cães são cães mesmo treinados... mas aquilo aparentemente piorou as coisas. Nanami arrancou-lhe as roupas das mãos com fúria.

-"Como se eu tivesse culpa de você ser um tarado, IDIOTA!"- Ela gritou, ainda muito vermelha, mas agora já abraçando as roupas e ocultando o corpo escultural da visão do irmão.

Ela virou as costas e saiu pisando pesado, enfurecida. Se vestindo com dificuldade com as roupas masculinas que costumava usar, e quase caindo no processo. quando conseguiu fechar a calça e abotoar a camisa, virou-se e apontou o dedo para Jun

-"A essa hora, Sasaki já enviou um pombo para a Vila informando o velho da missão. Então, você devia ficar na cidade e arrumar uma mulher pra te fazer sossegar o facho, seu imbecil."- e então bateu a porta com força atrás de si, enquanto descia para o salão, enquanto os irmãos sufocavam as risadas.

-"E a tigresa da montanha faz mais um vítima! Você deveria ter visto essa vindo, Jun."
- Kojiro sentou-se pesadamente ao lado do irmão, amarrando as botas e rindo do amigo.

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