quinta-feira, 14 de maio de 2020

Sobre Cães e Lobos - 07





“AS PESSOAS SÓ IRÃO ENTENDER UMAS ÀS OUTRAS QUANDO SENTIREM A MESMA DOR”

A menina viu a apresentação da Gueisha e a aplaudiu animada, ela tocava muito bem e tinha uma voz incrível. No fundo, ela sentia um misto de admiração e inveja por Yuri, queria ter sido uma mulher graciosa como ela. Mas por ter esse jeito de moleca, era facilmente confundida com um homem. Akemi suspirou resignada, por causa disso não percebeu a intenção da piscada maliciosa da jovem.

Quando acabou a apresentação, Yuri voltou a sentar do seu lado e lhe oferecia sakê, mas a jovem recusava timidamente, alegando ter baixa resistência a bebida alcoólica. Já estava de madrugada e os homens ainda estavam entretidos com a festa. Quando o Capitão Harada anunciou que iria se recolher, Akemi aproveitou a oportunidade para sair e tomar o tão desejado banho de água quente. Ao se despedir da Yuri, ela cora e fica sem jeito.

Na rua Akemi vê o Capitão cambaleando de bêbado, a jovem se prontificou a ajudá-lo, colocando o braço dele sobre seus ombros, enquanto com a outra mão estava apoiada na cintura do homem. Essa aproximação fazia o coração da jovem bater mais rápido. O homem falava enrolado de tão bêbado que estava e apesar de estarem próximos no quartel, ele não poderia entrar daquele jeito ou seria punido. E ela também não aguentaria carregá-lo por muito tempo, então Akemi desviou o caminho e parou perto de onde os cavalos bebiam água. Ela precisava deixá-lo sóbrio, colocou ele sentado e apoiou suas costas numa parede. A jovem enchia as mãos de água e passava na nuca do rapaz. Então reparou no kimono aberto dele e começou a corar violentamente ao observar os músculos definido.  As faixas que cobriam seu abdômen estavam frouxas e mostravam uma grande cicatriz

- Senchõ...como ganhou essa cicatriz?- Disse de maneira tímida

Mestre mode on:
Ele fica sério de repente. Silencioso, embora estivesse fazendo vários gracejos durante o caminho. Ele acertas as faixas com a mão livre, escondendo a cicatriz.
Depois de alguns momentos de silêncio constrangedores, ele diz em voz baixa.



"Veio de outra cicatriz maior. Mas nem toda cicatriz é visível."


- Me desculpe...-se afastou constrangida, mas entendia o que ele dizia- O senhor consegue andar?

Mestre mode on:
Ele ergue a cabeça e te olha por um segundo.


"Você é um bom rapaz, Ishida."

Sobre Cães e Lobos 2eumn3q

Ele se levanta e agradece, e caminha sozinho, embora trôpego, ao alojamento.

Ainda bem que ele não viu a jovem corar com aquele comentário. Quando chegasse ao quarto, iria buscar suas roupas discretamente e sairia de fininho, de preferência sem ser vista por ninguém. No banheiro iria checar se ele estava realmente vazio, se tivesse alguma maneira de trancar ou bloquear a porta ela faria. Quando se sentisse relativamente segura de que ninguém a veria a jovem começa a retirar as roupas e solta os cabelos castanhos que estavam na altura do queixo. Ela passa as mãos nos cabelos para desembaraçar os fios e sente falta de quando eles eram longos e bonitos que nem da Yuri.

"Se eu fosse bonita como ela, eu também teria vários homens interessados em mim."- Pensou um pouco chateada por sua falta de atrativos femininos

Sobre Cães e Lobos Ylz01

A jovem entra no ofurô e sente a água quente cobrindo o corpo. Fazia tempo que não tinha um tempinho só para si e relaxar. Repassou mentalmente os acontecimentos daquela noite, seu encontro com a Gueisha e o interesse dela por Akira e sobre o capitão Harada, normalmente ele era uma pessoa alegre, mas esta noite ela conheceu um lado sombrio  dele que não conhecia. Confusa com seus sentimentos a menina mergulha na banheira, para afastar todos aqueles pensamentos.

A água quente fazia maravilhas pelo corpo cansado de Akemi. Ainda tinha os braços pesados do dia anterior. Parou pra refletir por alguns breves momentos. Matar não era tarefa fácil. Quando treinava com seu irmão, imaginava que trilhar o caminho da espada era algo heróico, repleto de façanhas e aventuras. Pensa-se em matar inimigos, mas são sempre entidades malignas e imaginárias, vilões terríveis que encontram um fim justo na lâmina do herói. Nada pode realmente te preparar pra ver a luz deixar os olhos de alguém. Nada realmente pode te prevenir de sentir o peso da responsabilidade de pôr fim a uma vida. E a cada vida que sua lâmina ceifava, Akemi sentia como se algo fosse levado dela própria. Tinha medo de um dia se tornar insensível aquilo e simplesmente parar de se importar.


Mas hoje, ainda sentia o peso dessa responsabilidade. E na noite de ontem, ela havia posto fim a vida de um dos homens do bando de ladrões. Um cavalariço, mais velho que ela. Ele estava vigiando os cavalos, e teria fugido se Akemi não o tivesse alcançado a tempo. Ele a teria matado se ela não reagisse. Ainda era capaz de sentir a lâmina cortando o peito do homem. A sua técnica havia sido perfeita: desviara do golpe do inimigo, movendo-se lateralmente para a abertura em sua guarda. Em seguida, desferindo-lhe um golpe vertical contra a jugular exposta. Seus mestres ficariam orgulhosos da execução perfeita, mas quando a chuva de sangue lavou-lhe o rosto, Akemi retornou à realidade. Havia ceifado uma vida. Vilão ou não, aquilo era responsabilidade dela. E ela sentia o peso dessa responsabilidade, incapaz de dissolvê-la na água quente da banheira.
Foi quando ouviu a porta ranger e um ruido de madeira estalando. Havia colocado uma vassoura bloqueado a porta corrediça que dava entrada ao banheiro, mas aparentemente, o cabo quebrou quando forçaram a porta, e agora alguém entrava.


O ambiente estava repleto de vapor, e não era possível ver bem. Mas a voz de um Yamada tremendamente bêbado ecoou pela sala de banho.
-"Maldita vassoura! Quem diabos a colocou ali?"- praguejava em voz alta, caminhando em direção à banheira.
Estava completamente nu, pelo que Akemi podia ver. A visão de seu membro viril fez-lhe corar até as orelhas.
-"Hã? Ishida? Quem diria, eu achei que você não tomasse banho."- disse, e riu alto, enquanto sentava-se nu num banquinho, enchendo o balde com água.

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